Suburban Glamour

25 Outubro, 2008 por Marcio Telles

Completei hoje a leitura da mini em quatro edições Suburban Glamour, primeiro vôo solo de Jamie McKelvie, o desenhista da outra mini do selo Vertigo, Phonogram. Coincidentemente, as duas minis são muito semelhantes: inserem elementos mágicos num mundo repleto de referências ao pop e ao estilo de vida rocker, bebendo direto da foto do manifesto Pop Magick! escrito por Grant Morrison quando este trabalhava em Os Incríveis. No dito manifesto, Grant Morrison, um praticante declarado de magia do caos, diz para esqueceremos o jeito sisuso e polido de se fazer magia e transpor todos os elementos da cultura pop para dentro da magia – algo como orar por Cthullu, pedir bênção ao Mickey e enquanto se veste com os trajes da Barbarella.

Como só li o primeiro número de Phonogram, pois achei a história confusa, deixarei minhas comparações pararem por aqui. Só ressalto que me deu a impressão de que Phonogram tem mais história do que Suburban Glamour. E eu tinha expectativa com as duas, pois eram promessas de ‘histórias-em-quadrinhos-com-rock’n'roll”, uma mistura que sempre pareceu ter tudo a ver (Zenith, de Grant Morrison, explorou muitíssimo bem essa dupla, ainda que em um mundo descolado do nosso).

Aliás, uma breve sinopse: Astrid é uma garota prestes a fazer 17 anos que sonha em ser uma rockstar. Enquanto o sonho não vem, ela precisa aturar a vida monótona de uma pequena cidade do interior da Inglaterra, junto de seus amigos Dave e Chris. O que Astrid não sabe é que, no seu caso, o estranhamento típico de uma adolescente tem explicação – ela é a herdeira de um reino de fadas, escondida entre os humanos até completer seus 17 anos. Quando seu aniversário se aproxima, a fada Morgana, aprisionada a anos por sua irmã Titania, envia seus lacaios para ceifar a vida da sobrinha. Agora, ela contará com a ajuda de seus dois amigos imaginários de infância, que retornaram exclusivamente para auxiliá-la, e de uma misteriosa mulher chamada Audrey.

E é basicamente isto. O primeiro volume dedica-se exclusivamente a desenvolver os personagens. Toda a situação da herança de Astrid é explicada em uma única página no segundo número. O três lança um gancho com a volta dos pais da menina e o quarto conclui com um libelo rock’n'roll: o de que pais mágicos ou pais mundanos, os “velhinhos” sempre são pais e tentam nos encaixar em sua sociedade entediante, com suas normas de etiqueta e baldes de responsabilidade. Daria um bom rock.

Uma das coisas bacanas da mini é encontrar várias referências ao mundo pop moderno. McKelvie inseriu-se bem na cabeça dos garotos do colégio, tanto que são os dois personagens principais, Astrid e Dave, que carregam a fraca história nas costas. Fraca porque o elemento sobrenatural destoa completamente de todo o resto, chegando a ser dispensável – se a história se concentrasse no desenvolvimento de Astrid e Dave como garotos-emburrecidos-do-interior-sonhando-em-serem-astros ficaria mais interessante. Aliás, nunca torci tanto por um casal quanto torci por Astrid e Dave… E nada!

Ainda assim, é uma leitura leve, as duas personagens são cativantes, e a arte de McKelvie, agora com as cores de Guy Major, é fabulosa. Dá pra dar uma chancezinha. =)

Referências pop, como esta do pôster na parede, estão por toda a mini.

Referências pop, como esta do pôster na parede, estão por toda a mini.

Frase da Semana

24 Outubro, 2008 por Marcio Telles

FÍSICA:

“O que importa agora é a gravidade.”
- Capitão John Matrix, Comando Para Matar

Por que a Apple é uma das empresas mais bacana do mundo

24 Outubro, 2008 por Marcio Telles

Saiu no NME hoje a seguinte manchete: “Apple doa $100,000 to save gay marriage”. A empresa do Steve Job mais uma vez prova que tem conteúdo ao dar essa bola dentro (ops!) com o seu público… Apesar do casamento entre pessoas do mesmo sexo ter sido legalizado na Califórnia neste ano, há uma lei em trâmite que pretende barrar a liberação, a já infame Proposition 8.

No comunicado da Apple, a empresa afirma ser um ‘ato de direitos civis’ e não só políticos defender a causa do casamento de pessoas do mesmo sexo. Deixando as idéias bacanas e liberais de lado, é sempre bom lembrar o perfil do público consumidor gay: pessoas com mais grana que os héteros e com gosto mais ‘refinado’ – que gostam das coisas mais bonitinhas. Ou seja, um público mais do que potencial da Apple, cujos produtos caros têm como um dos diferenciais o design arrojado. Belo golpe de marketing da Apple!

Uma empresa que tem um guru careca como dono, cria sonhos de consumo nerds à toda hora e agora defende os direitos civis contextualizado no novo milênio, só pode ser das mais bacanas do mundo mesmo! :D

(em tempo: Fall Out Boy também dou uma grana para a campanha contra a Proposition 8, mas eles ainda estão bem longe de serem uma das bandas mais legais do mundo…)

Frase da Semana

8 Outubro, 2008 por Marcio Telles

BIOLOGIA:

“Godzilla está dentro de cada um de nós…”
- Prof. Yuji Shinoda, Godzilla 2000

Os Reis dos Pôsteres

7 Outubro, 2008 por Marcio Telles

Fazer versão nacional de pôsteres de filmes é algo bem tradicional ao redor do mundo. E, ultimamente, bem facil: basta pegar a arte original e colocar as palavras traduzidas. Há alguns anos atrás, inclusive no Brasil, a tarefa era mais complicada e exigia um grande grupo de profissionais, que faziam da diagramação à própria arte.

Porém, no quesito ‘POSTÊRES PSICODÉLICOS PARA FILMES NEM TANTO’ ninguém ganha dos poloneses. Surfando pelo Niponfilia (recomendo!), fui obrigado a concordar com o webmaster daquele site que os poloneses estão para os postêres como Godzilla está para os monstros.

Confiram abaixo!

Muito obrigado, Mr. Roboto!

7 Outubro, 2008 por Marcio Telles

Enquanto estudava para uma provinha de japonês na próxima sexta, aproveitei para reencontrar o motivo pelo qual desde criancinha eu quis aprender japonês. Como nasci no começo da década de 1980, peguei toda a fase dos célebres tokusatsus na TV Manchete, além de trasheiras como Godzilla, Gamera e demais bizarrices. Cultura pop japonesa pra mim é sinônimo de EFEITOS BARATOS, HISTÓRIAS SEM PÉ NEM CABEÇA, EXTREMO MAU GOSTO E MUITA DIVERSÃO. Japa pra ser bom tem que ser ruim. ‘Kawaii’ o caralho! =)

Um dos clássicos dos anos 80 no quesito tão ruim que é bom é Domo Arigato, Mr. Roboto! (Muito Obrigado, Mr. Roboto!), música do grupo americano Styx, uma banda xumbrega dos anos 80 que fazia electrorock vinte anos de existir a palavra. Descobri – na santa wikipedia – que a música conta a história de Robert Orin Charles Kilroy (que as iniciais formam… ROCK! Ta dá!), um roqueiro aprisionado numa prisão futurista para ‘roqueiros fora-da-lei’ pelo grupo anti-rockers Majority for Musical Morality (MMM). O Roboto da questão é um tipo de robô que realiza trabalhos manuais na prisão. Kilroy escapa da prisão escondendo-se dentro de um deles.

Tem sinopse de filme B japa e estilo idem. Inclusive, o dito cujo (o clipe) não tem absolutamente nada a ver com a suposta história. Mas é nostálgico – além de pra lá de ruim! =D

E, abaixo, uma hilária versão atualizada da música, agora pelo grupo japonês Polysics. Tem de tudo: desde o Roboto batendo em criancinhas, atacando o DJ numa balada, fumando cigarro, até dando um poderoso golpe final ao estilo do Daileon!

E agora vamos todos cantar juntos:

どうもありがとうミスターロボット (Dōmo arigatō misutā Robotto)
また会う日まで (Mata au hi made)
どうもありがとうミスターロボット (Dōmo arigatō misutā Robotto)
秘密を知りたい (Himitsu wo shiritai)

\o/

Quadrinhos & Besteirol

20 Setembro, 2008 por Marcio Telles

Parece que a vida não anda fácil pra quem perde o emprego. Nem pra quem tem super-poderes!

Tradução livre de Wonder Worman v.1 #179. Argumento: Denny O’Neill. Arte: Mike Sekowsky.

Spore: Will Wright did it again!

20 Setembro, 2008 por Marcio Telles

O designer de games Will Wright, co-fundador da Maxis, fez de novo: roubou a minha vida social, me arranjou uma nova tendinite e – em troca – me concedeu horas e horas de diversão amalucada, viciante e despreocupada. Explico: Will Wright é o cara por trás de dois jogos que marcaram a minha vida (e a de muitos), SimCity e The Sims, e acaba de lançar seu novo projeto, o game Spore. Depois de Wright, os únicos que me roubaram tantas horas de vida foram o Sid Meier e a minha cama. ; )

Spore é um jogo difícil de classificar. Já faz alguns anos que os jogos de Wright têm sido chamados de “electronic toys”, ou seja, jogos que não há como perder nem ganhar. Em SimCity, se você cometer erros durante o jogo apenas se tornará um mau prefeito; em The Sims, o seu personagem pode vir a morrer – em casos extremos – mas provavelmente será um desajustado; e em Spore… bem, não existem erros. Porque Spore é um simulador de vida (mas não somente de vida social, como é The Sims), mas da vida em seu sentido biológico. E a natureza não comete erros!

Design inteligente com açúcar

Proponho que a luta entre criacionistas e cristãos seja abandonada em prol da diversão que é Spore! O que conta no jogo é, do ponto de vista ideológico, o design inteligente de vida. Mas quem é capaz de se preocupar com as picuías entre dois grupos extremistas quando tem em mãos um jogo que permite criar qualquer forma de vida, em qualquer formato, com qualquer habilidade?

Grosso modo, Spore é um simulador de vida. Mas o jogo é muito mais do que isso: é uma junção megalomaníaca de conceitos tão em voga como imerção total, liberdade total e conteúdo colaborativo misturados com games de sucesso como Warcraft, Evo, Civilization, The Sims e Fable. Spore não é um jogo só: é, no mínimo, uns cinco.

A salada de frutas desenvolvida por Wright funciona muito bem, por incrível que pareça. O objeto do jogo (se é que existe um) é fazer sua espécie prosperar até adquirir o supremacia entre as outras formas de vida inteligentes, seja através da força bruta ou do convívio social. Estas duas formas de poder, aliás, são as balanças que permeiam o jogo inteiro, representados, incialmente, sob a dualidade carnívors/herbívoros.


Vida de unicelular não é fácil!

Na “primeira fase” (se é que se pode chamar assim), nossa criaturinha é apenas um unicelular feiosinho, nadando em um líquido primordial. Ao longo da fase, as ações que o usuário toma vai refletir no desenvolvimento da criatura (uma idéia meio darwiniana de evolução): por exemplo, o bicho encontra, à sua disposição, dois tipos de alimento – carne ou plantas – e deve decidir qual dieta seguir, podendo inclusive comer dos dois. Isto vai resultar na liberação de características próprias para cada tipo de dieta, como esporas para os carnívoros e mecanismos de defesa (como veneno ou descargas elétricas) para os herbívoros.

Além disso, se aponderando de material genético de outras criaturas-chave, é possível liberar outras característas para o seu animal. Quando for hora de ‘evoluir’, é só chamar uma parceiras, afogar o ganso um pouquinho e tá-dá, eis seu novo animalzinho. Na tela de editor de criaturas (um dos plus do game), dá para se montar a criatura que se quiser, do tamanho, forma, número de membros, bocas, características especias, cores, texturas, cornos, olhos, narizes, ouvidos, etc. que se quiser. Sinceramente: a criatividade é o limite e as alternativas são infinitas.


Algumas criaturas que podem ser criadas no editor. As possibilidades são infinitas!

Chocando ovos

Na fase seguinte, a criatura sai do mar para a tomar a terra. Agora, o lance é aprender a interagir com outras espécies. Caçá-las significa aniquilá-las (eis a lei do mais forte); encantá-las com cantos e danças significa tê-las como aliadas. Novamente, a interação do animal com aqueles ao seu redor vai determinar o seu futuro e as suas características. Animais belicosos acabam o jogo com mais rapidez – é mais fácil descer na porrada do que sociabilizar com os outros – mas cooptar os outros para seguirem a criatura do jogador é mais desafiante.

É interessante notar que não só os objetivos mudam de uma “fase” para outra, como também muda a dinâmica do jogo. Se antes a dinâmica lembrava o saudoso Evo (e até Ecco the dolphin), agora o jogo lembra os RPGs de aventura no estilo Fable, Diablo, Resident Evil, etc. Mais para o primeiro, já que as ações do jogador influenciam diretamente no decorrer do jogo.

As ações ao logo do jogo influenciam desde o formato até as habilidades e o psicológico dos bichinhos.

Essa mudança de dinâmica é constante. Quando, após esta fase, a criatura descobre o fogo e evolui ao estágio tribal, o jogo se transforma numa cópia de Warcraft. Agora, o jogador possui sua tribo, tem de arquitetar construções para seus soldados, buscar comida e cumprir missões relacionadas com as outras tribos. Novamente, como se cumprem estas missões significa como o bicho evolui mas, desta vez, não resulta em mudanças fisiológicas na criatura mas, sim, em mudanças de atitude.

A quarta parte do jogo é também a mais complexa. Depois de passado o estágio tribal, a criatura evolui até a civilização. Isso mesmo: Sid Meier na veia. O jogo se transforma em um Civilization simplificado, com a espécie criada pelo jogador fundando um país que deve ter suas fronteiras defendidas e seu além-mar explorado. Porém, diferentemente do Civ, em Spore a raça do jogador gera ‘diásporas’, fundando novos países em diferentes pontos do globo. Cabe ao jogador saber como agir com cada uma delas. E mais: enquanto no Civ se joga com culturas “prontas”, em Spore o jogador tem liberdade de criar a sua própria, desde desenhar seus prédios e veículos um a um (com alternativas que beiram o infinito), até compor o hino para sua nação. É tanta liberdade que chega a ser irritante para quem só quer uma rapidinha!

Para o alto e avante!

Como se não fosse suficiente, o estágio de desenvolvimento das criaturas de Spore ainda tem mais um degrau: a fronteira final – ele mesmo, o espaço. Mas desse eu não vou falar agora porque ainda estou experimentando os enlaces da civilização com os meus bichinhos – os Lucócias, estes simpáticos dinos cor-de-rosa que são os carnívoros supremos em seu planeta!

Uma fantástica raça de dinossauros roxos e carnívoros conquista a civilização!

Wright fez de novo. Peguei o jogo na quinta-feira e deixei de lado um trabalho da faculdade por causa dele. São dos jogos assim, aqueles nos fazem esquecer das preocupações do dia-a-dia, que precisamos. O designer mais original das últimas décadas apresenta mais uma vez um fantástico e empolgante trabalho que vai fazer todos os marmanjos ficarem grudados na tela de LCD de seus computadores! Two thumbs up para o americano!

Resenha> Robo Vampire

26 Março, 2008 por Marcio Telles

Gênero: Filme B de Artes Marciais, de Terror, de Comédia, de Ficção Científica, de Romance, etc

Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1988
Estúdio: Filmark International Ltd.
Direção: Joe Livingstone (Godfrey Ho)

Elenco:
Robin McKay
Niam Watts
Harry Myles
Joe Browne
Nick Norman

RESENHA: “O agente de Narcóticos Tom Wilde recebe uma segunda chance quando uma operação futurista salva a sua vida. Ele retorna à vida como um Androibot, meio homem-meio máquina. Sua primeira missão é adentrar o Triângulo Dourado para resgatar uma agente que está sendo mantida em cativeiro pelo maligno Yeung”, segundo a capa do VHS. Mas isto não é tudo! Do lado dos bandidos (eu acho), um grupo de traficantes orientais passa a utilizar vampiros chineses como mulas para suas drogas. Tudo se complica quando a esposa fantasma de um dos vampiros retorna, exigindo um casamento com seu falecido, que agora, além de um vampiro, tem a cara do Dr. Gori. Do lado dos mocinhos (talvez), um grupo mercenário é contratado para “ajudar” a investigação do nosso herói, mas nunca toma conhecimento do mesmo. Para completar, o filme se chama Robo Vampire. O FILME SE CHAMA ROBO VAMPIRE, e se leva muito a sério!

Esforcei-me muito para resumir o enredo do filme logo acima. Por mais que eu conseguisse explicar o enredo do filme, eu não entenderia, nem me batendo com um gato morto na cabeça. Isso acontece por que Robo Vampire não é UM filme ruim: são DOIS filmes ruins juntos, transformados num único graças às maravilhas da mesa de edição. O resultado é tão B, mas tão B, que um enredo que mistura TRAFICANTES JAPONESES, VAMPIROS CHINESES, UM SÓSIA DO ROBOCOP, MERCENÁRIOS TAILANDESES, O EXÉRCITO AMERICANO, UM BARÃO DA COCA EUROPEU, UM SACERDOTE PROPENSO A SE ACHAR O NOVO DR. MOREAU, UM PADRE VICIADO, UMA COROINHA GOSTOSA, UM FRANGO ASSADO VOADOR, UMA FANTASMA DE TOPLESS E UM VAMPIRO-MACACO QUE SOLTA FOGOS-DE-ARTIFÍCIO PELAS MÃOS se torna perfeitamente aceitável.

 

A vampirada pula solta em Robo Vampire

O filme começa com dois soldados americanos numa missão na selva. Eles encontram alguns caixões espalhados no chão. Quando vão inspecioná-los, são surpreendidos por uma cobra saltitante (voadora, voadora! A cobra realmente voa!) e um punhado de vampiros chineses – que, prestem atenção, não são como os nossos europeus: eles são meio necrosados (pelo menos, acho que [e isso que a “maquiagem” geléia de framboesa na cara deles significa) e movimentam-se por pulinhos. Os vampiros saem pulando atrás dos dois soldados, enforcam um e, quando vão atacar o outro, são atacados por um lutador de kung fu que era prisioneiro dos americanos. Pouquinho de artes marciais são exibidas terrivelmente (no mau sentido), e o vampiro sai vencedor, após detonar um pedaço de bife (literalmente) do pescoço do outro soldado. O lutador de kung fu desaparece tão rápido quanto surgiu e aparece na tela o título “ROBO VAMPIRE”. Corta para um bando de traficantes japoneses, carregando um navio. Um barão da coca europeu reclama com seus subordinados japas que os porcos deram flagrante em mais uma de suas ações. “Tenho que achar uma maneira de me livrar do Tom, aquele ótimo policial”, diz o fulando (guardem o nome de Tom). A idéia que ele arranja é tão óbvia que você já deve ter pensando nisso um zilhão de vezes: arranjar um monge taoísta com quedinha por ser o novo Dr. Moreau, que cria vampiros chineses para servirem de mulas para suas drogas (a cena onde drogas são “escondidas” dentro dos vampiros é antológica). Segue a única cena PROPOSITALMENTE cômica do filme: dois empregados traficantes vão para o porão do navio/casa/onde quer que seja para alimentar os vampiros-chineses-mulas-saltitantes. Como ficam com medo deles, acabam alimentado-os a distância (vampiros tailandeses comem frango assado!). Algo vai mal e os vampiros acordam, prontos para papar os dois bocabertas. Eis que surge o Dr. Moreau para salvar o dia e recolocar os vampiros para dormir – com uma vela!

 

Cenas de violência gratuita de OUTRO filme

Corta para uma mulher escondendo drogas no bucho de uma VACA MORTA DE VERDADE. Isto não só é uma novidade em Robo Vampire, como é totalmente um novo filme. Se existem vacas mortas como mulas, por que diabos os vampiros são mulas também? Não que faça diferença: essa cena é única; não existe mais menção alguma dela no restante do filme. Aliás, ela nem ao menos faz parte desse filme! Então, esqueçamos que vimos uma vaca morta de verdade de buxo aberto e voltemos ao nosso filme.

 

Da esquerda para a direita: um executivo, um pai norte-americano e um sacerdote taoísta

Em algum outro lugar, o Dr. Moreau/Sacerdote Taoísta recebe a visita de um executivo e um… um… PAI tipicamente norte-americano, com um moletom escrito “RACING”. Obviamente, ele não sabe o que faz no filme, então age conforme o outro. O outro, o executivo, exige que o Dr. Moreau mostre o Super-Vampiro desenvolvido pelo nosso sacerdote. O Super-Vampiro não só possui super-poderes (como soltar fogos de artifício pelas mãos), mas também veste UMA MÁSCARA DE GORILA! Neste exato momento, surge uma fantasminha seminua que se apresenta como Christine. Nada melhor como a própria moça para explicar o que diabos está acontecendo:

CHRISTINE: “Como ousas pegar o meu amado Peter e transformá-lo num Super-Vampiro? Agora ele está condenado a voltar dos mortos, e nós nunca poderemos estar juntos no além-vida! “

DR. MOREAU: “Mas ele é oriental e você ocidental, como explica?”

CHRISTINE: “Nossos pais não gostavam da diferença de raças, e por isto mesmo oposuram-se ao nosso casamento! Então nós decidimos: se não pudéssemos ficar juntos nessa vida, Peter e eu ficaríamos juntos para sempre na outra vida. Você roubou isto de mim ao transformá-lo num Super-Vampiro! Agora, meus pensamentos são de vingança!”

Ah, tá, claro!

Bem, se você não ficou chocado com a história da fantasminha seminua, saiba que o executivo ficou. E ele propõem, então, que o casamento seja realizado. O sacerdote relutantemente aceita, com a condição de que eles o obedeçam depois. E Peter e Christine viverão felizes para sempre…

Nah! É claro que não! Isto aqui é ROBO VAMPIRE, e se leva muito a sério! Muito possivelmente no dia seguinte, o sacerdote é emboscado por um grupo de soldados americanos. Ele conjura vários vampiros – que saem de debaixo da terra – para livrar-se da encrenca. No meio da luta, Peter/Super-Vampiro/Gorila mata um dos soldados com os fogos de artíficio que saem de suas mãos. O soldado morto – que descobrimos se tratar de Tom, o personagem principal do filme, mencionado EM UMA FRASE anteriormente – é levado de volta para o QG da tropa, onde passa por um moderno procedimento científico e torna-se o Robo do título.

 


Christine, a fantasminha semi-nua

Esperem! Antes, rola um monólogo fantástico de algum sujeito que aparece pela primeira vez. Ele vira-se para um soldado com aparência de adolescente e diz: “Como Tom está morto, eu desejo usar seu corpo para criar um robô tipo andróide, Sr. Glen. Gostaria que você aprova-se minha aplicação”. Mr. Glen – o adolescente – concorda.

Na sala de cirurgia, no meio de avançados equipamentos médicos como um rádio com sinais de + e de – e uma furadeira elétrica, Tom é transformado numa mistura de Robocop com lixeiro. Todas as partes que deveriam ser de metal em sua armadura transforma-se milagroasamente em nylon, papelão e papel alumínio.

A moderna máquina de fazer androibots

Chegamos a um terço do filme. Ufa!

Aparece então uma cena de violência aleatória. Esta é uma cena do OUTRO filme, qu está prestes a começar! O outro filme não tem traficantes japoneses, vampiros chineses, um sósia do Robocop, o exército americano, um sacerdote com propensão a se achar o novo Dr. Moreau, um frango assado voador, uma fantasma de topless e um vampiro-macaco que solta fogos-de-artifício pelas mãos. Mas tem um grupo de mercernários tailandeses, um barão da coca europeu, um padre viciado, uma coroinha gostosa e um bando de caras que luta kung-fu muito bem (ao contrário do outro filme).

De qualquer forma, eis o que acontece: aparentemente, na COLÔMBIA ou no MÉXICO, um bando de caras que nunca vimos antes invade uma “igreja” (na verdade, uma salinha com uma cruz e um mini-altar) e perguntam ao Padre onde está a droga deles. O Padre se faz de besta e tenta esconder a droga (na cruz – será uma crítica à Igreja Católica aqui? Naaah!). Eis que é descoberto e atacado pelo grupo. Surge, então, para delírio do macharedo, a Coroinha Gostosa (que mais tarde saberemos que se trata de Sophie), com um AR-15 metendo chumbo no bando de mau-encarados.

Encurralada dentro da salinha, não resta à Sophie nada a não ser saltar pela janela, na cena de dublê mais fajuta da história: não só o dublê não é uma mulher e branca; o dublê é UM HOMEM ASIÁTICO DE BIGODE, MAIS VELHO E MAIS BAIXO do que Sophie. E, Meu Deus, ele é claramente perceptível sem a necessidade de slow-motion.


Coisa que aprendi com Robo Vampire: Coroinhas gostosas viram sujeitos baixinhos e bigodudos ao pular janelas

A Coroinha/Sophie/Sujeito de Bigodes é levada então para uma prisão ou um acampamento, onde é presa e violentada. Também é torturada, com a mais maligna de todas as torturas já exibidas em filmes: a TORTURA DO PINGO. Isso aí! A água fica pingando incessantemente em seu rosto – o que aparentemente é horrível, pois ela fica mexendo a cabeça de um lado para o outro e implorando para que parem.

Enfim, no meio da selva, um soldado americano (acho que é o Glen, se não me perdi no meio de tantos personagens sem nome) fala com um sujeito que nunca apareceu antes sobre Sophie. Não só o sujeito não apareceu antes, como esse sujeito NÃO FAZ PARTE DESSE FILME. Ele está numa locação completamente diferente, com uma iluminação completamente diferente, olhando para um lugar completamente diferente de Glen. De qualquer forma, graças ao Editor sem-nome, ao plano e contra-plano e aos intrépidos dubladores (o filme não tem créditos finais), ele concorda que precisa fazer algo para salvar Sophie. Então, contrata um grupo de mercenários tailandeses liderado por Ryan para dar conta do recado.

No filme número 2, que se passa na Colômbia, o grupo de mercenários tailandeses encontra um sujeito com a mesma tatuagem na mão que segura Sophie na foto que usam como identificação da moça (que foto?). Tiram o sujeito da sua queda-de-braço matinal e fazem com que ele se junte ao grupo. Com o passar do tempo, o sujeito encontra-se tão à vontade com seus novos amigos que até afirma querer vingar-se do seu antigo chefe. Na mesma seqüência, surge também uma garota japa que vai apaixonar-se pelo herói do filme #2, Ray, após ele passar-lhe a irresistível cantada numa cachoeira: “Que bela vista! Você deveria banhar-se mais seguido!”. Garotão!

 


“Que bela vista! Você deveria banhar-se mais seguido!”

No filme #1, Robo/Tom – segundo o argumento no box do DVD – também está atrás de Sophie. Não que ele saiba disso. Em certo momento, o Robo é emboscado pelos traficantes japas, que metem um foguete de napalm nele. Como o napalm só queima numa linha horizontal reta, Tom (isso é, o Robô, não se perca!), resolve esconder-se atrás de um banco de areia. Quando as chamas apagam, ele sai do esconderijo e é surpreendido por um bando de vampiros – que até então estava enterrado na praia. Como o Napalm não funcionou, os sujeitos do filme #2 resolvem detonar Tom com um lança-foguetes. O Robô explode, mostrando para nós que ele não era nada além de um boneco de pano. Mas nem tudo está perdido! De volta ao QG dos americanos, o Robô é novamente reconstruído e sai para a batalha.

Na Colômbia, Ray e o pessoal do filme #2 se depara com uma cidade arrasada após um sujeito não querer dar sua cerveja para um brutamontes armado. O brutamontes armado e seus comparsas também brutamontes e também armados detonam o vilarejo, deixando todos mortos. Na sua passagem pelo local, os heróis do filme #2 deparam-se com um garoto – que prontamente é despachado pelo Sujeito-Fardado-de-Aluno-do-Colégio-Militar, único que viu uma granada nas mãos do menino. Esta cena não faz o minímo sentido e sua importãncia para a história é nula. Mas assim o é todo o resto do filme também!

 

Tremei Murphy!

De volta ao filme #1, nosso amigo Robo/Tom está recuperado e já em busca dos vilões. Ele depara-se com Christine/Fantasma e seu marido Peter/Super-Vampiro/Gorila… fazendo amor. Ou, pelo menos, é o que dizem. Na verdade, eles estão dando saltinhos e esfregando as mãos. Mas, quando são pêgos pelo robozão, Christine implora: “Não nos mate, nós nos amamos! Você pode nos matar quando nosso amor for consumado!”. Peraí, eles já não estão mortos? Quando o amor deles for consumado? Como assim? Tom não tem tempo de pensar nesses assuntos, já que sua memória entrou num processo de flashback, onde ele se lembra de quando seu amor terminou com ele. No flashback, Tom tem a voz do Xerxes (do 300) e sua namorada soa como um robô que apenas repete: “Deixe-me… sozinha…”. O que importa no flashback – ACHO! – é que Tom associa amor à dor, e resolve acabar com os dois amantes do mesmo jeito.

 

Aprenda geografia com Robo Vampire: a Colômbia faz fronteira com a China, e Tóquio é rodeada por florestas sub-tropicais!

Infelizmente, somos cortados para o filme #2, onde nossos personagens parecem estar bem próximos da fronteira entre a Colômbia e a China, já que estão sendo perseguidos pelo Barão da Coca Europeu em pessoa (ele não fazia parte do outro filme? Ah, edição, edição). Em certo momento, Ray faz uso de seu magnífico .38 e mata, com um só tiro, três bandidões. Então ele pega sua namorada japa e pula para dentro de um periférico, por onde finalmente cruza a fronteira. Isso faz com que esqueçamos do ridículo da cena anterior onde, resumindo, uma fantasma e seu amante vampiro-gorila pediram a um robô caçador de traficantes que não os matassem antes de terminarem sua trepada.

Repetindo:

NA CENA ANTERIOR, UMA FANTASMA E SEU AMANTE VAMPIRO-GORILA CHINÊS PEDIRAM AO ROBÔ CAÇADOR DE TRAFICANTES QUE NÃO OS MATASSEM ANTES DELES TERMINAREM SUA TREPADA!

Mais uma vez:

NA CENA ANTERIOR, UMA FANTASMA E SEU AMANTE VAMPIRO-GORILA CHINÊS PEDIRAM AO ROBÔ CAÇADOR DE TRAFICANTES QUE NÃO OS MATASSEM ANTES DELES TERMINAREM SUA TREPADA!

Sacou?

Por óbvios caprichos de edição, o pessoal do filme #2 vai parar no acampamento/prisão onde Sophie está presa. Logo eles encontram-se também precisando de ajuda, mas logo a recebem e dão um jeito de quebrar todo mundo. Eles soltam Sophie e a livram das garras do Chinês-Canastrão que a mantinha em cativeiro, e então estão prontos para deixar o filme para sempre.

Corta para o Robo/Tom dando um rolê por Tóquio (TÓQUIO?) à procura de traficantes japas para meter bala. Ele depara-se com Christine e Peter, que parecem ter esquecido ou consumado seu ato sexual, pois estão prontos para rasgar o papel alumínio do robozão. Eles recebem a ajuda de mais alguns vampiros (e do Pai norte-americano, o “Racing”!), e dão uma sova em Tom, que de alguma maneira consegue se livrar de todos – menos Peter, o Super-Vampiro com a cara do Dr. Gori. Começa então a cena de perseguição mais rídicula da história, já que Peter – que vai na frente – apenas pula e Tom – que vai atrás – caminha feito o Robocop Gay. Em algum momento da perseguição, em alguma ponte de Tóquio, Peter depara-se com um bando de turistas ocidentais e pega alguns dele como reféns.

 

A fantasminha finalmente fica nua para encarar o sacerdote taoísta!

Dr. Moreau/Sacerdote Taoísta, que há tempos não dava as caras, aparece para o acerto de contas com Christine, que finalmente fica com os seios completamente à mostra. Com um dedinho, o Sacerdote derruba Christine/Fantasma Nua no chão, que começa a ter um ataque de risos e morre. De novo.

(Não me perguntem como acaba o seqüestro, porque eu não sei).

 

O robozão e seu lança-chamas!

Então Tom/Robô é encurralado (novamente) no meio de Tóquio pelos vampiros e o Sacerdote. Há o confronto final entre Tom e Peter, que dura 20 segundos, e resume-se numa patética seqüência de Peter/Super-Vampiro levantando os dedos e atirando fogos-de-artifício sem resultado seis vezes seguidas. Percebendo que sua maior criação está fraca, o Sacerdote começa a orar por ajuda, quando é atacado por Christine/Fantasma Seminua (vestida de novo!), que voltou dos mortos mais uma vez para vingar-se. O cara morre e então algo explode, e Robô/Tom percebe que sua arma não é um fuzil, mas sim um lança-chamas (!), e bota fogo em tudo.

THE END.


Aleluia, irmãos!

Vocês notaram que o filme acaba com várias perguntas em aberto? Pois bem. Já que o filme TINHA que ter 90 minutos (e tem, cravados), e eram dois filmes, o jeito foi usar um pouquinho de cada. O que aconteceu com o barão da coca? E Sophie? O grupo de mercenários? Afinal, que diabos aconteceu no filme? Quando vi Robo Vampire pela primeira vez, em 2003, junto do meu tio, tive a clara sensação de que se tratava de um filme único. Na época não entendia inglês muito bem, e fiquei realmente confuso no meio de tanta coisa acontecendo. Por algum motivo muito estúpido (chamado cerveja), também não havia me dado conta de que se tratava de dois filmes misturados. Isto ficou muito mais claro agora. Continuo com uma certeza: Robo Vampire, do jeito que está, é o pior filme do mundo! O filme não apenas é mau atuado, como em nenhum momento nós temos noção da onde se passa a ação, quanto tempo decorreu desde dado fato, quem são os mais de trinta personagens que povoam a tela, etc. Aliás, Livingstone, se você quer que tenhamos pena pelo personagem principal, Tom, faça-o aparecer em cena mais do que uma frase antes de matá-lo!

Na verdade, “Joe Livingstone” é uma das tantas alcunhas de GODFREY HO (Chi Kueng Ho), o mestre dos filmes Z de Hong Kong. Especialista na técnica de “copiar-e-colar”, Godfrey normalmente filma uma produção, utilizando atores caucasianos, e depois mistura estas cenas com vários outros filmes, tentando fazer com que eles se tornem uma história coerente através da dublagem. Normalmente, os filmes utilizados como inserção são produções asiáticas (chinesas, tailandesas ou filipinas) não-finalizadas ou antigas. Desta forma, ele faz quatro ou cinco filmes (bombas) do orçamento de um(a). Atualmente, ele dá aulas de cinema na Hong Kong Film Academy. (Leia três vezes a última frase).

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(Como filmes B tem suas cotações invertidas, e Robo Vampire são dois filmes juntos, sua nota foi duplicada. Sim, ele conseguiu duas vezes a nota máxima! Isto é, 5 + 5 com louvor!)
Este post foi originalmente publicado no meu antigo blog, Cabeça de Película. Com alterações.

 

Resenha> The Lost Empire (1985)

25 Março, 2008 por Marcio Telles

Gênero: Filme B de artes marciais
Tempo de Duração: 83 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1985
Estúdio: Harwood Pictures
Direção: Jim Wynorski
Roteiro: Jim Wynorski
Produção: Raven De La Croix
Música: Alan Howarth
Direção de Fotografia: Jacques Haitkin
Efeitos: Ernest D. Farino
Edição: Larry Bock

Elenco:
Melanie Vincz (Angel Wolfe)
Raven De La Croix (Whitestar)
Angela Aames (Heather)
Paul Coufos (Rick)

RESENHA: Após o policial Rob Wolfe ser morto enquanto tentava parar uma gangue de ninjas de assaltar uma joalheria, sua irmã, a policial Angel Wolfe, decide vingar sua morte. Sua investigação leva ao misterioso Dr. Sin Do, que supostamente é assessorado pelo necromante mago Lee Chuck. O doutor está promovendo um concurso de artes marciais no seu forte secreto. Lá, Angel, após juntar-se com duas amigas lutadoras (Raven e Angela), entra no torneio a fim de dar umas porradas em Sin Do em nome do seu irmão.

Depois de ler o argumento acima, você se pergunta: “Diabos, onde está o Império do título?”. Seguinte: para aumentar a enrolação, existe uma história sobre a Lemúria antiga, onde todo o poder desta incrível civilização perdida foi colocada em duas orbes que, se juntadas novamente, podem dar o poder do mundo para quem as possuir. Onde isso se encaixa no roteiro? Em algum lugar entre as intenções de Sin Do (excelente nome, não acharam?) e Lee Chuck (que não sejam curtir garotas semi-nuas lutando).

As “atrizes” são três gostosas peitudas, que usam pouca roupa e atiram frases extremamente não-convicentes. Uma delas merece ser citada: Raven Delacroix, a esquecida bimbo do Up! de Russ Meyer, como a “índia” Whitestar. O filme é produzido sua e ela aparece em nu frontal no finalzinho. Outro que merece ser lembrando é Angus Scrimm, o malvadão Sin Do, da série Phantasm. Mas o destaque vai mesmo para Paul Coufos, como o interesse romântico de Wolfe, Rick. Cara, o bigodinho canastrão não deixa ninguém ter dúvida de que se trata de um belo exemplar do cinema B.

“Quietas, isto não é um piquenique!” (tradução literal!)

A primeira aparição de Wolfe é clássica: ela aparece toda de preto, do capacete aos coturnos, pilotando furiosamente uma Kawasaki. Invade um jardim de infância onde crianças são mantidas reféns pelo grupo de ladrões mais imbecis dos filmes B e detona todo mundo. Obviamente que ela teve a “ajudinha” de um dos ladrões, que resolveu desafiá-la com canivete enquanto ela exibia seu .38 (!). Outras cenas memoráveis incluem a “conjuração” de Whitestar (Raven), surgida no meio de uma aldeia indígena; a luta na prisão de Heather (Angel) contra uma detenta que não se veste com o uniforme do encarceiramento (ela tá mais para uma S&M Queen do que prisioneira); Paul Coufos sendo “assediado” por dois gays caricatos; e a cena inicial, onde um velhinho chinês fica cuidando os peitos da sua cliente sem perceber que sua loja está lotada de ninjas com intenções no mínimo duvidosas.

O diretor, Jim Wynorski, é mais um dos realizadores com a tradição de se esconder atrás de pseudônimos devido à quantidade de porcarias que fazem. Assim, ele é conhecido também como H.R. Blueberry, Harold Blueberry, Bob E. Brown, Daniel Fast, David Gibbs, Heny Henri, Noble Henri, Nobel Henry, Noble Henry, Tom Popatopolous, Arch Stanton, Jamie Wagner, Thaddeus Wickwire e, mais frequentemente, Jay Andrews. Somente assim ele foi capaz de dirigir 68 filmes, segundo o IMDB, e continuar na ativa, com diversas produções direto para vídeo e TV. Atualmente, finalizou The Breastford Wives (sim, Breadford Wives versão sexploitation, hooray!), filme que estou verdadeiramente ansioso para ver!

Num filme destes não poderia faltar uma aranha-robô, poderia?

O certo é que Jim Wynorski bebeu da fonte de Ed Wood para fazer um exploitation estupidamente estúpido! Todas as coisas realmente (des)agradáveis que você poderia esperar de um filme B estão lá: péssima atuação, roteiro cheio de balões, figurinos esdruxúlos, decoração de set precária e efeitos “especiais” ruins até mesmo pra época. O mais bacana é que o filme faz o favor de não se levar a sério em nenhum momento (o que faz dele, apesar de possuir a mesma premissa de muitos filmes do Van Damme, bem mais “assistível” que os filmes do dito cujo). Como a intenção do filme é ser um filme B com mulheres gostosas em roupas sumárias lutando, considero-a inteiramente cumprida!

Enfim, qualquer filme que tenha frases do tipo “Se você for à escola, punk, melhor aprender a contar” merece ser posto em um altar e reverenciado simplesmente por ter sido filmado. Um sério concorrente para o título de PIOR filme de todos os tempos. É sem sentido e estúpido, mas também é divertido, ágil e repleto de belas garotas com pouca – ou nenhuma – roupa. Uma bela maneira de se perder uma tarde!

FRASE FAVORITA: “Eu odeio aranhas-robôs”

NOTA: starinvertida.jpgstarinvertida.jpgstarinvertida.jpgstarinvertida.jpg
(filmes B têm suas cotações invertidas!)
Este post foi originalmente publicado no meu antigo blog, Cabeça de Película. Com alterações.