Suburban Glamour

By Marcio Telles

Completei hoje a leitura da mini em quatro edições Suburban Glamour, primeiro vôo solo de Jamie McKelvie, o desenhista da outra mini do selo Vertigo, Phonogram. Coincidentemente, as duas minis são muito semelhantes: inserem elementos mágicos num mundo repleto de referências ao pop e ao estilo de vida rocker, bebendo direto da foto do manifesto Pop Magick! escrito por Grant Morrison quando este trabalhava em Os Incríveis. No dito manifesto, Grant Morrison, um praticante declarado de magia do caos, diz para esqueceremos o jeito sisuso e polido de se fazer magia e transpor todos os elementos da cultura pop para dentro da magia – algo como orar por Cthullu, pedir bênção ao Mickey e enquanto se veste com os trajes da Barbarella.

Como só li o primeiro número de Phonogram, pois achei a história confusa, deixarei minhas comparações pararem por aqui. Só ressalto que me deu a impressão de que Phonogram tem mais história do que Suburban Glamour. E eu tinha expectativa com as duas, pois eram promessas de ‘histórias-em-quadrinhos-com-rock’n'roll”, uma mistura que sempre pareceu ter tudo a ver (Zenith, de Grant Morrison, explorou muitíssimo bem essa dupla, ainda que em um mundo descolado do nosso).

Aliás, uma breve sinopse: Astrid é uma garota prestes a fazer 17 anos que sonha em ser uma rockstar. Enquanto o sonho não vem, ela precisa aturar a vida monótona de uma pequena cidade do interior da Inglaterra, junto de seus amigos Dave e Chris. O que Astrid não sabe é que, no seu caso, o estranhamento típico de uma adolescente tem explicação – ela é a herdeira de um reino de fadas, escondida entre os humanos até completer seus 17 anos. Quando seu aniversário se aproxima, a fada Morgana, aprisionada a anos por sua irmã Titania, envia seus lacaios para ceifar a vida da sobrinha. Agora, ela contará com a ajuda de seus dois amigos imaginários de infância, que retornaram exclusivamente para auxiliá-la, e de uma misteriosa mulher chamada Audrey.

E é basicamente isto. O primeiro volume dedica-se exclusivamente a desenvolver os personagens. Toda a situação da herança de Astrid é explicada em uma única página no segundo número. O três lança um gancho com a volta dos pais da menina e o quarto conclui com um libelo rock’n'roll: o de que pais mágicos ou pais mundanos, os “velhinhos” sempre são pais e tentam nos encaixar em sua sociedade entediante, com suas normas de etiqueta e baldes de responsabilidade. Daria um bom rock.

Uma das coisas bacanas da mini é encontrar várias referências ao mundo pop moderno. McKelvie inseriu-se bem na cabeça dos garotos do colégio, tanto que são os dois personagens principais, Astrid e Dave, que carregam a fraca história nas costas. Fraca porque o elemento sobrenatural destoa completamente de todo o resto, chegando a ser dispensável – se a história se concentrasse no desenvolvimento de Astrid e Dave como garotos-emburrecidos-do-interior-sonhando-em-serem-astros ficaria mais interessante. Aliás, nunca torci tanto por um casal quanto torci por Astrid e Dave… E nada!

Ainda assim, é uma leitura leve, as duas personagens são cativantes, e a arte de McKelvie, agora com as cores de Guy Major, é fabulosa. Dá pra dar uma chancezinha. =)

Referências pop, como esta do pôster na parede, estão por toda a mini.

Referências pop, como esta do pôster na parede, estão por toda a mini.

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