
Gênero: Ficção científica de terror
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Estúdio: Warner Bros.
Orçamento: $150 milhões
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Akiva Goldsman e Mark Protosevich
Produção: Akiva Goldsman
Música: James Newton Howard
Direção de Fotografia: Andrew Lesnie
Efeitos: Quantum Creation FX e Tatopoulos Studios
Edição: Wayne Wahrman
Elenco
Will Smith (Robert Neville)
Alice Braga (Anna)
Charlie Tahan (Ethan)
Dash Mihok (Homem Alfa)
RESENHA: O primeiro plano geral que temos de Eu Sou a Lenda já impressiona: a cosmopolita Nova Iorque completamente deserta, prestes a virar uma floresta. Quase um deserto, o entulho deixado pelos já fantasmagóricos humanos tomam conta da outrora “capital do mundo”. Trovejando por este cenário desolado, está Robert Neville dentro de um rápido automóvel, ansioso para encontrar, entre os novos habitantes da metrópole, um que lhe sirva de comida. Convincente.
A história do filme se passa em 2012, três anos depois de uma doutora criar uma mutação do vírus da rubéola que se mostrou eficaz na cura do câncer. Porém, o vírus mutou novamente para algo mortal: um vírus semelhante à raiva, que matou 90% e transformou 9% em criaturas agressivas, sedentas por sangue e com forte rejeição aos raios ultravioletas – o que os força a habitarem locais escuros e só saírem à noite. Encarregado, ainda na época do início do contágio, a descobrir uma cura está o cientista militar Robert Neville (Smith), que ainda não desistiu de sua missão. Pertencente ao 1% da população que é milagrosamente imune ao vírus, Neville é o último habitante de Nova Iorque. Ele e sua cadela Sam.
A premissa de Eu Sou a Lenda é simples e eficaz. Baseado no romance de um dos bastiões da ficção científica norte-americana, Richard Matheson, o livro já foi adaptado outras duas vezes para o cinema: em The Last Man on Earth (1964 – dizem que Romero tirou a idéia para seus zumbis daí) e Omega Man (1971, com Charlton Heston no papel principal). Confesso que não vi as duas versões anteriores tampouco li o livro e que, talvez por isso, meu julgamento desta versão realizada por Francis Lawrence seja afetado. Basicamente por que gostei do filme. Estraçalhado pela crítica, que pareceu se preocupar mais nas hipóteses científicas do que no conteúdo humano da fita (1 – filmes são filmes; e 2 – filmes de terror são sobre pessoas), Eu Sou a Lenda acabou não emplacando muito nos EUA, mas detonou mundo afora (quase meio bilhão em bilheteria). Bom para nós, ruim pros gringos…
O que funciona? Basicamente, quando se tem um bom diretor e um bom ator principal, o resto deixa de ser essencial. Quando a isso se juntam um bom roteiro, bons efeitos e algumas indagações interessantes, é criado um hit. É mérito de Lawrence a tensão criada na primeira cena em que somos apresentados aos monstrengos – Lawrence sabe manter nossa adrenalina lá no alto postergando ao máximo a aparição deles. Quase sentimos a respiração ofegante e o medo inebriante que sente Neville enquanto procura o seu cãozinho. E, se como certo crítico você está achando ridículo um cara durão arriscar a própria vida atrás de seu animal de estimação, vá fazer a lição de casa e assistir à Alien – O Oitavo Passageiro. Além do mais, Sam é o único ser vivo que impede Neville de ficar biruta e conversar com bonecos – ponto provado mais adiante no filme.
É mérito de Smith a empatia criada quase que instantaneamente com seu personagem. Ao contrário do personagem principal de 30 Dias de Noite, Eben Oleson, aqui somos levados a nos preocupar pela segurança de Neville. E seu background está lá na medida certa, mesmo que boa parte dele pouco acessível (eu disse que ele fora encarregado de descobrir um antídoto? Hm, eu intui isso). Que é mérito de um bom roteiro, aqui obra de Akiva Goldsman. O roteirista de Uma mente brilhante acerta a mão em buscar referências dentro do mundo pop para expressar a solidão e a missão de Neville (belas referências em Bob Marley e no diálogo de Shrek dublado por Neville). E, se decepciona em algo, é nos efeitos especiais: mas não por serem ruins (longe disso). Como um fanboy oldschool de terror, esperava ver protéticos e maquiagens pesadas nos monstrengos. Porém, o diretor Lawrence não gostou dos testes de maquiagem e resolveu fazer tudo em CG. O resultado é convincente.
Quanto às indagações, atentem para algumas falas depois da aparição da personagem de Alice Braga na tela. Mesmo que diluído na roupagem cool de um filme pop, a indagação sobre Deus é interessante. Afinal, nossas atuais (e futuras) experiências com engenharia genética não é nada mais do que meter o bedelho onde não fomos chamados? “Deus não fez nada disso, fomos nós que fizemos”, diz um estressado Neville a certa altura. A fé cega de Anna (Alice Braga, fraca, mas não comprometedora) em um Deus que o destino controla é o antípoda da busca racional e cheia de culpa de Neville, que é ele mesmo prisioneiro do próprio destino.
Talvez você não tenha visto nada disso. Tudo bem, eu vi e gostei. Recomendo!
P.S: Alguém mais reparou no símbolo de Batman & Superman logo no fim da primeira seqüência do filme? Será que a WB está preparando um filme com seus dois maiores heróis até 2012???




25 Março, 2008 às 4:15 pm |
*spoilers*
Pôxa, velho. Respeito sempre suas virtudes no “ver cinema”, mas não concordo com quase nada do que tu escreveu.
A mim, ficou a impressão de que eles foram gastando muito e se esmerando no trabalho, colocando grandes e caras (bonitas, também) tomadas no filme, até se darem conta de que a coisa já estava muito grande e eles tinham gasto quase todo o dinheiro. O filme começa muito bem, mas parece que acaba na metade. A ótima impressão que eu tinha até os 5 minutos finais do filme se dissipou em raiva quando o Will Smith morreu sem que as personagens (e a própria história) tivessem se desenvolvido melhor. Outros elementos deprimentes e que não combinam com o esmero do resto do filme: a tatuagem de borboleta, que de movo piegas e clichê anuncia a redenção; e a tomada aérea da última cena, com uma narração em off imbecil explicando ao público a “moral da história”.
*spoilers*
25 Março, 2008 às 6:29 pm |
*spoilers*
Não citei esse lance da borboleta por que realmente não me chamou atenção, mas todo mundo que não gostou do filme citou essa situação como motivo. Simplesmente ignorei – e fui mais feliz, pelo jeito. Gostei dele ter morrido no final também, ainda mais quando fiquei sabendo sobre o final alternativo (ele não morre, em vez disso entrega a mulher curada pro cara malvadão…). A narração em Off é desnecessária, mas não achei que comprometesse a ponto de jogar a outra 1 hora e meia no lixo. Só fiquei decepcionado com uma ponta da história que ficou solta: a de que os bichos estavam começando a racicionar novamente, inclusive criando uma armadilha pro Neville.