Resenha> 30 Days of Night (2007)

By Marcio Telles

 

30 days de noite

Gênero: Terror de Vampiros
Tempo de Duração: 113 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Estúdio: Columbia Pictures
Orçamento: $32 milhões
Direção: David Slade
Roteiro: Steve Niles & Stuart Beattie
Produção: Sam Raimi e Ted Adams
Música: Brian Reitzell
Direção de Fotografia: Jo Willems
Efeitos: Weta Digital
Edição: Art Jones

Elenco
Josh Hartnett (Sheriff Eben Oleson)
Melissa George (Stella Oleson)
Danny Huston (Marlow)
Mark Rendall (Jake)
Ben Foster (Estranho)
Abbey-May Wakefield (Vampirinha)

RESENHA: Em processo de produção desde o lançamento da minissérie em quadrinhos original, em 2002, 30 Dias de Noite foi desde o início pensado no formato de filme. Deparando com o descaso dos produtores, Steve Niles adaptou sua história para os quadrinhos, onde chamou a atenção da crítica especializada. Encabeçando a produção está Sam Raimi, da colossal trilogia Evil Dead, portanto nome mais do que tarimbado para levar essa terrorífica história para as telonas. E horror é o que se vê: volta e meia, um machado é usado para separar do corpo a cabeça de um chupador de sangue. Volta e meia, somos presenteados com cenas de um vampiro mastigando a jugular de inocentes feito um feroz predador. Tudo com uma plasticidade de imagem impressionante, que nos remete às últimas adaptações de histórias em quadrinho para o cinema, tais como Sin City (2006) e 300 (2007).

Destacando-se como um dos grandes atores de sua geração, Josh Harnett dá vigor ao seu personagem, o xerife Eben Oleson. Ainda que rejeitado pela esposa Stella (a bela Melissa George, de Alias), Eben mostra-se dotado de um apurado senso de dever com os seus – sua família, composta pela ex-mulher, o irmão Jake e a avó Helen. De certa forma, ao apresentar esta unidade familiar integrada – todos da família ligados à autoridade – apreciamos a vida de uma cidadezinha normal norte-americana, que tem como singularidade o fato de, no alto inverno, passar trinta dias às escuras. Mesmo assim, as semelhanças com a Barrow real são poucas ou quase nenhuma – são 67 dias de noite, e não 30, e a maior parte da população é composta por esquimós, e não brancos.

No último dia de sol em Barrow, o xerife Eben é chamado por toda a cidadezinha para atender a estranhas ocorrências. Num canil, cachorros são degolados impiedosamente. Nos arredores da cidade, celulares são carbonizados. Há uma morte violenta, com a posterior cabeça do morto cravada numa barra de ferro e há um estranho estrangeiro que não aceita ordens de ninguém (Ben Foster, como sempre excelente), o que acaba o levando à prisão. Assim que a noite se instala e todas as conexões com Barrow são cortadas devido ao inverno rigoroso, a matança tem início. Os vampiros, liderados por Marlow (Danny Huston, filho do ator/diretor John Huston), transformam as ruas da cidade num banho de sangue, divertindo-se com suas presas que não têm para onde ir nem como se esconder.

Com unhas compridas, dentes apodrecidos e falando uma língua anciã e gutural, os vampiros lembram um monte Max Schreck e seu Nosferatu. Mas, ao contrário deste, faltam-lhe o assombro: são vampiros que mais parecem zumbis, todos sujos de sangue e com roupas esfarrapadas. Nada da elegância de um Drácula ou as boas maneiras e o instinto reprimido de um Nosferatu. Aqui os vampiros (zumbis) são verdadeiros carniceiros a fim de explodir todos os humanos que vêem pela frente. Acontece que o conceito de ‘máscara’ batizado por Mark Reinhagen, mas já presente nas histórias vampirescas desde Bram Stoker, em 30 Dias de Noite é esquecido de forma quase ingênua – quando se dão conta da burrada, de terem se revelado para os humanos sem pudor, os vampiros ficam nervosos.

Há algumas outras incongruências na fita: a falta de localização no tempo atrapalha. A população, que no primeiro dia de escuridão é de 152 pessoas, é rapidamente assassinada logo nas duas primeiras noites. O que deixariam os vampirinhos famintos pelos próximos 28 dias. Ou não? Isso é difícil de saber. Se mantivessem a discrição, os vampiros agiriam mais de acordo com seu passado filmográfico, mas o efeito visual perderia bastante… Quanto à direção, às vezes parece um tanto solta: talvez pela ansiedade de começar com a nojeira logo, sem se preocupar em apresentar muito os personagens, mas nossa empatia por Eben e Stella demora a engrenar. As pretensas cenas de tensão ou de susto são no geral fracas – ou rápidas de mais, ou sem música para apoio, ou sem trabalho de criação de ambiente. No geral, acaba lembrando mais um filme de ação com terror do que propriamente um filme de horror. Algo como Fantasmas de Marte de John Carpenter, porém menos angustiante. Poderia ter sido melhor.

NOTA: star.jpgstar.jpgstar.jpg

Deixe uma resposta