Sonhos de cinema

By Marcio Telles

Estava eu aqui, <<tentando>> organizar minha imensa coleção de divx e dvd (eu me exibindo) – o que, na verdade, eu nunca vou conseguir, a não ser se tire um mês de férias SÓ para isso – e dei-me conta de algo: alguns dos filmes mais bacanas, considerados “cults” e aclamados pelo público tratam do mesmo tema… os sonhos.

Waking Life, do Richard Linkater, por exemplo, explora o sentido da vida através de um sonho (acorde pra vida, etc). A Scanner Darkly, o mais recente dele também pode-se dizer o mesmo: realidade e sonho se misturam na cabeça confusa do personagem principal. Do Gondry, Eternal sunshine of the spotless mind é um tratado sobre os sonhos e como nossa memória armazena as lembranças – partindo do pressuposto que os sonhos são fragmentos de realidade (lembranças), e que o cérebro é um HD que “desfragmenta” essas lembranças enquanto dorme, para melhor aproveitá-las. O último do Gondry, The Silence of Sleep, mostra um problema inerente aos sonhos: são, geralmente, subjetivos. O personagem principal, envolto nos seus sonhos e aspirações, vê a realidade de uma forma diferente da… real (objetivo). Quando apaixona-se por uma mulher, quer apresentá-la ao seu mundo. Mas sua percepção de mundo pertence só a ele – como fazer, então?

Jean Pierre Jeunet também aborda os sonhos em… todos os seus filmes. Obviamente que o mais claro é La cité de enfants perdus (The city of lost children), cujo plotline é: “um cientista numa sociedade surrealista seqüestra crianças para roubar seus sonhos, na esperança de que isso pare o processo de envelhecimento”. É uma fábula pós-apocalíptica sobre a inocência das crianças – cujos sonhos são desprovidos de preconceitos; a mente é “limpa” não guarda conhecimento por simetrias, é portanto nestes sonhos que residem a percepção vívida do mundo. Mas vai lá, os sonhos também estão presentes em Delicatessen, seja pelo clima; em Le fabuleux destin d’Amélie Poulain – a personagem principal é idealista e “sonhadora”, percebe o mundo de forma diferenciada, como o personagem do último de Gondry; e quiçá Un long dimanche de fiançailles – a mulher que espera pelo marido voltar da guerra alimenta-se de uma ilusão (de que o marido ainda esteja vivo).

Tem Requiem for a dream, onde os sonhos e esperanças dos personagens são desmanchados pelo vício em outro “produtor de sonhos”: as drogas. Matrix, principalmente o primeiro, é sobre sonhos: “onde vivemos? o que é real e o que é sonho?”.

E a lista segue… Donnie Darko, Brazil, Nightmare on Elm Street, O Beijo da Mulher Aranha, Vanilla Sky, De Olhos Bem Fechados, Videodrome, todos do David Lynch

Uma resposta para “Sonhos de cinema”

  1. Natusch Disse:

    Até tu, Brutus?
    Tu vê só.

    Bueno, sonho é um troço que fascina mesmo. Toda a questão do subconsciente, da percepção e tal, enfim, tu sabe. Eu acho sonhos bem interessantes como condutores narrativos, desde que não sejam do tipo “e então ele acordou e viu que era um sonho” – inclusive, tem uma cena de pesadelo no meu curta para especialização, em breve em um arquivo do NEPTV perto de você =P

    Abraço!

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