David é apaixonado por Katchoo, que ama Francine, uma mulher hétero que corresponde esse amor o suficiente para quebrar o coração dos três. Parece enredo de filme independente? Pode parecer mas, acreditem, é o enredo de Strangers in Paradise, um dos gibis mais bacanas que já apareceram na terra do Tio Sam.
Escrito, desenhado – e, na maioria das vezes, publicado – por Terry Moore há 14 anos, SiP chegou ao seu fim neste mês, com o lançamento da edição #90 da nova série mensal (antes, uma minissérie apresentou os personagens, que rendeu 15 edições mensais, interrompidas até que Moore investisse na publicação sozinho).
O final de SiP é triste para a indústria dos quadrinhos: é a única série que apresenta personagens homossexuais sem magia ou uniformes coloridos, portanto sem pré-conceitos chavões e chatos. Os personagens de SiP são reais: Katchoo é uma mulher forte, inteligente, impulsiva; Francine, por outro lado, tem baixa auto-estima devido aos inúmeros relacionamentos fracassados; David é tímido e carismático. E todos, afinal, estão apaixonados pela pessoa errada. Os dramas humanos que se desenvolvem na série são dignos do cinema de autor europeu e, por isso mesmo, é outra raridade na indústria: são poucos os autores que investem no “real-life” para contar uma história e – mais ainda – fazem sucesso. Eisner é o único nome que me vem a mente quando se fala em sucesso comercial com dramas reais… e Terry Moore. Triste, mas como diz o próprio autor, “SiP é uma história, e toda a história tem um fim”.
Terry deu uma entrevista muito bacana para o site After Ellen falando sobre o fim da série. Ainda, aí vai um torrentaço pra quem quiser conhecer a obra do cara.
Ao som de: Emily Haines & The Soft Skeleton – The maid needs a maid
