Posts de Maio, 2007

Sonhos de cinema

25 Maio, 2007

Estava eu aqui, <<tentando>> organizar minha imensa coleção de divx e dvd (eu me exibindo) – o que, na verdade, eu nunca vou conseguir, a não ser se tire um mês de férias SÓ para isso – e dei-me conta de algo: alguns dos filmes mais bacanas, considerados “cults” e aclamados pelo público tratam do mesmo tema… os sonhos.

Waking Life, do Richard Linkater, por exemplo, explora o sentido da vida através de um sonho (acorde pra vida, etc). A Scanner Darkly, o mais recente dele também pode-se dizer o mesmo: realidade e sonho se misturam na cabeça confusa do personagem principal. Do Gondry, Eternal sunshine of the spotless mind é um tratado sobre os sonhos e como nossa memória armazena as lembranças – partindo do pressuposto que os sonhos são fragmentos de realidade (lembranças), e que o cérebro é um HD que “desfragmenta” essas lembranças enquanto dorme, para melhor aproveitá-las. O último do Gondry, The Silence of Sleep, mostra um problema inerente aos sonhos: são, geralmente, subjetivos. O personagem principal, envolto nos seus sonhos e aspirações, vê a realidade de uma forma diferente da… real (objetivo). Quando apaixona-se por uma mulher, quer apresentá-la ao seu mundo. Mas sua percepção de mundo pertence só a ele – como fazer, então?

Jean Pierre Jeunet também aborda os sonhos em… todos os seus filmes. Obviamente que o mais claro é La cité de enfants perdus (The city of lost children), cujo plotline é: “um cientista numa sociedade surrealista seqüestra crianças para roubar seus sonhos, na esperança de que isso pare o processo de envelhecimento”. É uma fábula pós-apocalíptica sobre a inocência das crianças – cujos sonhos são desprovidos de preconceitos; a mente é “limpa” não guarda conhecimento por simetrias, é portanto nestes sonhos que residem a percepção vívida do mundo. Mas vai lá, os sonhos também estão presentes em Delicatessen, seja pelo clima; em Le fabuleux destin d’Amélie Poulain – a personagem principal é idealista e “sonhadora”, percebe o mundo de forma diferenciada, como o personagem do último de Gondry; e quiçá Un long dimanche de fiançailles – a mulher que espera pelo marido voltar da guerra alimenta-se de uma ilusão (de que o marido ainda esteja vivo).

Tem Requiem for a dream, onde os sonhos e esperanças dos personagens são desmanchados pelo vício em outro “produtor de sonhos”: as drogas. Matrix, principalmente o primeiro, é sobre sonhos: “onde vivemos? o que é real e o que é sonho?”.

E a lista segue… Donnie Darko, Brazil, Nightmare on Elm Street, O Beijo da Mulher Aranha, Vanilla Sky, De Olhos Bem Fechados, Videodrome, todos do David Lynch

Bob Gruen em SP

20 Maio, 2007

c-31-sex-pist-sid-vicious-mess.jpg

O fotógrafo das estrelas do rock Bob Gruen esteve no Brasil semana passada para inaugurar a exposição Rockers que conta com cerca 270 fotos de seu arquivo pessoal, além de capas de discos, revistas e pôsters com seu trabalho e vai até 1º de julho. Entre as fotos, textos curtos comentam suas experiências com as estrelas.

Bob fotografou medalhões do rock como Rolling Stones, Sex Pistols, Iggy Pop, Chuck Berry, Led Zepelin, Elton John, White Stripes além de ser o fotógrafo oficial da família Lennon. Algumas fotos, como a do Sid Vicious comendo cachorro quente, viraram ícone de culto. A exposição ocorre na FAAP e tem curadoria de (surpresa!) Supla, que diz-se amigo pessoal de Bob Gruen.

Quem, como nós, não vai dar uma bandinha por Sampa pra conferir a exposição, pode deliciar-se com o livro Rockers, da Editora Cosac Naify (R$ 69,00 na Cultura). Além das fotos da exposição, em versão reduzida e com os mesmos textos, mais 144 fotos – estas ampliadas- ilustram o livro.

Bob Gruen, descrito como de personalidade fácil e agradável, recebeu aulas de fotografia da própria mãe e, aos 18 anos, dividia um apê com a banda Glitterhouse – que ficou na poeira da história do rock’n'roll. Bob fez a capa do disco dos caras, a gravadora curtiu o trabalho e o contratou como fotógrafo oficial. O resto é a história contada na exposição e no livro.

No site do cara, é possível conferir uma prévia do seu trabalho.

Estranhos no Paraíso, o final

20 Maio, 2007

tmoore.jpg

David é apaixonado por Katchoo, que ama Francine, uma mulher hétero que corresponde esse amor o suficiente para quebrar o coração dos três. Parece enredo de filme independente? Pode parecer mas, acreditem, é o enredo de Strangers in Paradise, um dos gibis mais bacanas que já apareceram na terra do Tio Sam.

Escrito, desenhado – e, na maioria das vezes, publicado – por Terry Moore há 14 anos, SiP chegou ao seu fim neste mês, com o lançamento da edição #90 da nova série mensal (antes, uma minissérie apresentou os personagens, que rendeu 15 edições mensais, interrompidas até que Moore investisse na publicação sozinho).

O final de SiP é triste para a indústria dos quadrinhos: é a única série que apresenta personagens homossexuais sem magia ou uniformes coloridos, portanto sem pré-conceitos chavões e chatos. Os personagens de SiP são reais: Katchoo é uma mulher forte, inteligente, impulsiva; Francine, por outro lado, tem baixa auto-estima devido aos inúmeros relacionamentos fracassados; David é tímido e carismático. E todos, afinal, estão apaixonados pela pessoa errada. Os dramas humanos que se desenvolvem na série são dignos do cinema de autor europeu e, por isso mesmo, é outra raridade na indústria: são poucos os autores que investem no “real-life” para contar uma história e – mais ainda – fazem sucesso. Eisner é o único nome que me vem a mente quando se fala em sucesso comercial com dramas reais… e Terry Moore. Triste, mas como diz o próprio autor, “SiP é uma história, e toda a história tem um fim”.

Terry deu uma entrevista muito bacana para o site After Ellen falando sobre o fim da série. Ainda, aí vai um torrentaço pra quem quiser conhecer a obra do cara.

:)

Ao som de: Emily Haines & The Soft Skeleton – The maid needs a maid

Wilco – Sky Blue Sky

18 Maio, 2007

Confesso que nunca escutei Wilco com paciência. Não sei por quê. Alguma coisa no som não me cativava. Talvez fosse o clima deprê que sempre permeava suas músicas. Despachei essa e outras preocupações logo na primeira faixa do novo álbum dos caras, Sky Blue Sky: Either Way. “Talvez o sol brilhe hoje”, canta Jeff Tweedy logo no primeiro segundo da faixa, já anunciado que este é um trabalho diferente dos outros. Mas, mesmo que desta vez o céu seja azul, o sol nunca chega a brilhar totalmente – sempre sobra um quê de melancolia, principalmente nas faixas mais intimistas como a faixa-título, Please Be Patient With Me e a belíssima On and On and On, que fecha o álbum com uma promessa: “Nós ficaremos juntos/nós tentaremos melhorar”.

Se o relacionamento de Tweedy com a sua amada não é dos melhores (sim, o álbum é praticamente conceitual), o resultado para nós ouvintes é fantástico. Ouça Either Way sem parar e deixe-se alegrar com Wilco.

Ao som de: Wilco – Either Way