
Como o feliz novo proprietário de uma placa de vídeo Nvidia 9500GT 512mb da XFX que agora sou, resolvi fazer uma limpa e baixar todos os bons jogos dos últimos dois anos que eu não podia jogar (e pra tirar umas boas screenshots e mostrar minha nova placa, é claro hehe). Comecei por Batman: Arkham Asylum. Primeiro por que eu sou fã do Morcegão, sobretudo desta nova encarnação no cinema; segundo, por que eu já joguei tudo que é jogo licenciado de super-heróis, desde Marvel x X-Men do Nintendinho 8bits (que merece um review pela bizarrice) até Justice League do PS2 (de novo, bizarro!).

No clima de Batman: arquitetura gótica, escuridão e chuva
Os pontos bons…
Jogo licenciado normalmente é bizarro. Por que ou é feito nas coxas, usando o engine de um jogo já existente, pra aproveitar o hype e surfar na onda, ou não tem a mínima graça, limitando a história à obra em que foi baseada (como os jogos da séria LOTR). E, convenhamos, o legal dos games é “pirar na batatinha” em cima de alguma obra pré-estabelecida. A criatividade e a liberdade dos mundos virtuais é o que faz dos games um mundo divertido.
Justamente isso que é Batman: Arkham Asylum. A história, de Paul Dini (principal roteirista da animação do Batman dos anos 90), coloca o Morcegão pra enfrentar todos os seus vilões dentro do Asilo Arkham, o hospício-prisão para os amalucados vilões do herói. E, também, um local que faria muito bem ao Morcego em pessoa pertencer, como já bem demonstrou Grant Morrison em sua minissérie homônima ao game. Ou seja, o jogo parte de duas das versões mais conhecidas de Batman das últimas décadas (a animação e a atual franquia de filmes) para criar um Batman soturno, sombrio e violento.
A jogabilidade é fácil, ainda que o jogo vá ficando difícil com o passar do tempo: basta clicar no botão direito que o herói bate no vilão que estiver mais perto. O último golpe do combo é acompanhado por uma animação slow-motion, evolução – bem-vinda, diga-se de passagem – do bullet time estilo Matrix. Não tem essa coisa de ficar mirando no cara e então bater: é só bater mesmo. Mirar é com o batarangue, o que faz todo o sentido, pois exige um pouco mais de tempo para seu preparo e uso. O lance é que o estilo de luta do Batman, fluído e ao mesmo tempo contido, ressalta seu treinamento ninja, “mestre em todos os estilos marciais conhecidos”, como tantas vezes ressaltadas nas HQs. O contraste fica maior ainda quando se enfrenta os capangas despreparados do Coringa e outros vilões sádicos e ansiosos, como o Mr. Zsasz: os caras são lerdos, mas ainda assim mortais.
Aliás, não pense em encarar os vilões de frente, com o peito aberto e na raça. Não é assim que Batman é nos quadrinhos, nem nos filmes, e não vai ser assim que funcionará no game. A ideia é usar o cenário ao redor para encontrar formas para intimidar os vilões, como escalar gárgulas e rastejar por condutores de ar condicionado. Aqui vale o ataque-surpresa, no melhor estilo Splinter Cell. Mas com o Batman, que é muito mais divertido!
O “modo detetive” (pressionando ‘X’ no teclado) é uma das coisas mais divertidas do game: ressalta pontos interativos do cenário, apresenta uma visão de Raio-X capaz de identificar vilões do outro lado da sala, além dos estados emocionais dos envolvidos. E há diferença nestes estados: encarar um vilão calmo é diferente de encarar um vilão nervoso, e muito diferente de socar um vilão atemorizado. Prefira o último, já que a tendência de ele cometer um erro é maior. E, para deixá-lo assustado, nada melhor do que saltar por trás dele com a capa esvoaçando, no melhor estilo Cruzado Encapuçado dos comics.
… e os não tão bons assim
Ok, fui no hype, o jogo é 10/10 mesmo, mas ainda assim tem algumas falhinhas: a principal delas é a falta de um botão de PULO. Eu jogo videogames desde os 4 anos e o que eu aprendi foi: na dúvida do que fazer em seguida, pule! Mas o Batman não pula, ainda que eventualmente ele salte um obstáculo, mas o pulo só se torna disponível quando o cenário o exige. É frustrante ver uma basculante lá no alto brilhando no “detective mode”, apertar espaço e o Morcegão não fazer absolutamente nada. Outra coisa: seria interessante ver outros vilões mais bacanas em vez de ficar surrando capanga atrás de capanga. Surrar gente fraca enche o saco, ainda que a IA adaptável exiga que nós mudemos de estilo de luta constantemente. E, francamente, os Bosses são muito fáceis!
Resumindo: Batman: Arkham Asylum não vai revolucionar os jogos de aventura em terceira pessoa, mas é capaz de revolucionar os jogos de super-herói, assim como The Dark Knight Returns revolucionou os quadrinhos de super-heróis em 1986, e o filme The Dark Knight revolucionou(rá) os filmes de super-herói. No caso do game, porque dá pra se sentir na pele do Cavaleiro das Trevas: sonho de 10 entre 10 garotos.
E o meu principal contra não vai pro jogo, e sim para a distribuidora no Brasil: eu pagaria 100 reais por esse jogo tranquilamente e com gosto. Só que não o encontrei a versão PC para venda em loja alguma, só as versões PS3 e XBOX. Francamente, depois reclamam da pirataria!














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